O Preço sobre Lucro (P/L) é um dos indicadores fundamentalistas mais utilizados por investidores na análise de ações. Simples, objetivo e extremamente poderoso, ele ajuda a identificar se uma empresa está cara, barata ou negociando em linha com seus fundamentos.

Se você investe na bolsa brasileira ou em BDRs (Brazilian Depositary Receipts), entender o P/L é essencial para tomar decisões mais estratégicas e evitar armadilhas comuns do mercado.
Neste artigo completo, você vai entender:
- O que é Preço sobre Lucro (P/L)
- Como calcular o P/L
- Como interpretar o indicador
- Quando o P/L pode enganar
- Diferença entre P/L alto e P/L baixo
- Como usar o P/L em conjunto com outros indicadores
O que é Preço sobre Lucro (P/L)?
O Preço sobre Lucro (P/L) é um indicador que mostra quantos anos o investidor levaria para recuperar o valor investido em uma ação, considerando o lucro atual da empresa.
A fórmula é simples:
P/L = Preço da ação ÷ Lucro por ação (LPA)
Em outras palavras, ele indica quanto o mercado está disposto a pagar por cada R$ 1 de lucro da empresa.
Se uma ação está cotada a R$ 20 e o lucro por ação é de R$ 2, o P/L será 10. Isso significa que, teoricamente, o investidor levaria 10 anos para recuperar o valor investido, assumindo que o lucro permaneça constante.
O conceito está diretamente ligado à análise de fundamentos, amplamente utilizada por investidores que seguem estratégias de longo prazo, como explicado pela própria B3.
Como calcular o Preço sobre Lucro na prática?
Existem duas formas principais de calcular o P/L:
1️⃣ P/L por ação
- Preço atual da ação
- Lucro por ação (LPA)
Fórmula:
P/L = Cotação atual ÷ LPA
2️⃣ P/L pelo valor de mercado
- Valor de mercado da empresa
- Lucro líquido anual
Fórmula:
P/L = Valor de mercado ÷ Lucro líquido
Hoje, a maioria das plataformas financeiras já disponibiliza o P/L automaticamente, como o portal da Investidor10, que apresenta esse e outros indicadores fundamentalistas.
Como interpretar o P/L?
A interpretação do P/L depende do contexto. Não existe um número “bom” ou “ruim” isoladamente.
📌 P/L baixo
Pode indicar:
- Ação descontada
- Mercado pessimista
- Empresa em dificuldade
- Oportunidade de compra
Mas cuidado: um P/L muito baixo pode ser sinal de problema estrutural na empresa.
📌 P/L alto
Pode indicar:
- Expectativa de crescimento forte
- Empresa inovadora
- Alta confiança do mercado
- Possível sobrevalorização
Empresas de tecnologia, por exemplo, costumam operar com P/L mais elevado. No exterior, companhias como a Apple Inc. (negociada no Brasil via BDR AAPL34) frequentemente apresentam múltiplos superiores à média de empresas tradicionais.
P/L ideal: existe um número mágico?
Não existe um P/L ideal universal.
O que deve ser analisado:
- Média do setor
- Histórico da própria empresa
- Crescimento do lucro
- Cenário macroeconômico
- Taxa de juros
Em momentos de juros altos, o P/L tende a cair, pois investidores exigem maior retorno para assumir risco. Já em ciclos de juros baixos, múltiplos costumam subir.
O P/L pode enganar?
Sim — e esse é um ponto crucial.
O P/L usa o lucro passado. Se o lucro foi extraordinário (por exemplo, venda de ativo), o indicador pode ficar artificialmente baixo.
Da mesma forma:
- Lucros temporariamente reduzidos podem inflar o P/L
- Empresas cíclicas variam bastante seus resultados
- Empresas em prejuízo não possuem P/L válido
Por isso, nunca utilize o P/L isoladamente.
P/L vs. Crescimento: o conceito de PEG
Uma evolução do P/L é o indicador PEG (Price/Earnings to Growth), que ajusta o P/L pelo crescimento esperado do lucro.
Fórmula:
PEG = P/L ÷ Crescimento do lucro
Um P/L alto pode ser justificável se o crescimento projetado for forte.
Comparação entre setores
O P/L varia muito de setor para setor.
Exemplos típicos:
- Bancos → P/L menor
- Utilities → P/L moderado
- Tecnologia → P/L elevado
- Varejo → depende do ciclo econômico
Comparar empresas de setores diferentes usando apenas o P/L é um erro comum.
P/L em empresas brasileiras
No Brasil, ações como:
- Petrobras (PETR4)
- Vale (VALE3)
- Itaú (ITUB4)
Costumam operar com múltiplos distintos dependendo do cenário econômico e do ciclo de commodities.
Em momentos de forte geração de caixa, empresas de commodities podem apresentar P/L muito baixo, mas isso não significa necessariamente que estejam “baratas” — pode ser apenas efeito do ciclo.
P/L em BDRs
Investidores que aplicam em BDRs também utilizam o P/L para análise.
Por exemplo:
- AAPL34 (Apple)
- MSFT34 (Microsoft)
- GOGL34 (Alphabet)
Empresas globais de crescimento normalmente operam com múltiplos mais altos devido às expectativas de expansão futura.
Estratégias que utilizam o P/L
🔹 Value Investing
Investidores de valor buscam empresas com P/L abaixo da média do setor, acreditando que o mercado esteja precificando erroneamente.
🔹 Growth Investing
Investidores de crescimento aceitam pagar P/L mais alto em empresas com forte expansão projetada.
Quando NÃO usar o P/L?
Evite usar P/L isoladamente em:
- Empresas em prejuízo
- Empresas altamente endividadas
- Empresas com lucros voláteis
- Setores extremamente cíclicos
Nesses casos, outros indicadores como:
- EV/EBITDA
- ROE
- Margem líquida
- Fluxo de caixa
Podem oferecer visão mais clara.
Relação entre P/L e Taxa de Juros
Existe forte correlação entre P/L médio do mercado e taxa básica de juros.
Quando a taxa Selic sobe:
- Investimentos em renda fixa ficam mais atrativos
- Ações tendem a ter compressão de múltiplos
- P/L médio do mercado cai
Quando a Selic cai:
- Investidores buscam mais risco
- Ações sobem
- P/L tende a aumentar
Conclusão: vale a pena usar o Preço sobre Lucro?
Sim — desde que utilizado corretamente.
O Preço sobre Lucro é:
✔ Simples
✔ Fácil de calcular
✔ Comparável dentro do mesmo setor
✔ Excelente ponto de partida
Mas deve sempre ser analisado junto com:
- Crescimento
- Endividamento
- Rentabilidade
- Cenário econômico
Investidores que dominam o uso do P/L conseguem identificar oportunidades com maior margem de segurança e evitar armadilhas comuns do mercado.
Se você deseja evoluir na análise fundamentalista, compreender profundamente o P/L é um passo indispensável.



