A Coinbase, uma das maiores e mais respeitadas corretoras de criptomoedas do mundo, anunciou oficialmente o lançamento de seu serviço de empréstimos com garantia em ativos digitais para usuários no Reino Unido. Esta iniciativa não é apenas uma expansão geográfica; representa um marco na convergência entre as finanças tradicionais e o ecossistema DeFi (Finanças Descentralizadas), oferecendo aos investidores britânicos uma ferramenta poderosa de gestão de liquidez.
A plataforma agora permite que investidores utilizem seus Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH) como colateral para obter empréstimos em USDC, uma stablecoin pareada ao dólar. Esta movimentação é estratégica e ocorre em um momento de maturação do mercado, onde a necessidade de liquidez sem a venda de ativos— evitando impostos e mantendo a exposição à valorização — é prioridade para grandes investidores.

A Infraestrutura Técnica: Protocolo Morpho e Rede Base
Diferente de modelos de empréstimos centralizados opacos, a Coinbase optou por uma abordagem transparente e tecnologicamente avançada para o mercado britânico. O serviço é operacionalizado através do Morpho, um protocolo de empréstimo de código aberto e extremamente eficiente no ecossistema Ethereum.
Toda a camada de execução desses empréstimos ocorre na Base, a rede de camada 2 (Layer-2) desenvolvida pela própria Coinbase. O uso da rede Base permite que as transações sejam rápidas, seguras e com taxas significativamente menores do que na rede principal do Ethereum, garantindo que o produto seja competitivo mesmo para empréstimos de menor escala, embora o foco inicial seja em grandes investidores.
Limites de Crédito e Ativos Aceitos
A estrutura do programa foi desenhada com um gerenciamento de risco rigoroso, refletindo a liquidez de cada ativo utilizado como garantia. A Coinbase estabeleceu limites claros que demonstram a robustez do sistema:
- Bitcoin (BTC): Os detentores da maior criptomoeda do mundo podem acessar empréstimos de até US$ 5 milhões em USDC. Este limite elevado visa atender clientes institucionais e indivíduos de altíssimo patrimônio (High Net Worth Individuals).
- Ethereum (ETH): Para os detentores de Ether, o limite de crédito é de até US$ 1 milhão. Embora menor que o do Bitcoin, o valor é substancial e reflete a posição do ETH como o segundo pilar de garantia do mercado cripto.
O processo de aprovação é automatizado e integrado diretamente à interface da Coinbase, permitindo que usuários qualificados acessem os fundos quase instantaneamente após o depósito do colateral.
Histórico de Sucesso e Segurança Institucional
Para os investidores britânicos que buscam segurança, os dados de desempenho do produto nos Estados Unidos servem como uma prova real de confiança. O serviço de empréstimos garantidos por cripto foi lançado originalmente nos EUA em janeiro de 2025.
De acordo com dados recentes, a Coinbase facilitou cerca de US$ 2,17 bilhões em origens de empréstimos USDC até 14 de abril de 2026. Esse volume bilionário sublinha a demanda reprimida por crédito colateralizado em cripto e a capacidade da corretora em gerenciar riscos em larga escala. No Reino Unido, essa expansão foi pavimentada pelo registro bem-sucedido da empresa na FCA (Financial Conduct Authority) em fevereiro de 2025, garantindo que todas as operações estejam em conformidade com as rigorosas normas financeiras locais.
Vantagens Estratégicas para o Investidor
A principal barreira que investidores de longo prazo enfrentam é a “dor da liquidação”. Precisar de capital para uma oportunidade de negócio ou despesa pessoal muitas vezes forçava a venda de ativos em momentos desfavoráveis do mercado. Com este novo serviço, os benefícios são claros:
- Preservação de Patrimônio: O investidor mantém sua tese de investimento original, continuando a se beneficiar de altas do Bitcoin ou Ethereum.
- Eficiência Fiscal: No Reino Unido, assim como em muitas jurisdições, a tomada de um empréstimo geralmente não é considerada um evento tributável, ao contrário da venda de ativos que geraria imposto sobre ganho de capital.
- Liquidez em Dólar Digital: O recebimento em USDC permite uma paridade estável, facilitando o uso do capital em diversas frentes financeiras globais.
Gestão de Riscos e o Mecanismo de Margin Call
A volatilidade é a característica intrínseca das criptomoedas, e a Coinbase lida com isso através de protocolos automatizados de monitoramento. O sistema calcula constantemente o valor do colateral em relação ao saldo devedor.
Se o valor de mercado do Bitcoin ou Ethereum cair drasticamente, o sistema emite alertas automáticos de Margin Call. Os usuários têm a oportunidade de adicionar mais garantia ou pagar parte do empréstimo para reequilibrar a posição. Em casos extremos de queda sem resposta do usuário, ocorre uma liquidação parcial automática para proteger a integridade do fundo de empréstimos e evitar prejuízos sistêmicos.
O Futuro da Coinbase no Reino Unido
O CEO da Coinbase UK afirmou que a meta é transformar a exchange no aplicativo financeiro número um do país. A introdução dos empréstimos é apenas uma peça do quebra-cabeça, que já inclui negociações em DEX (corretoras descentralizadas) e contas de poupança cripto lançadas no final de 2025.
A expectativa é que, com o sucesso deste lançamento, outros ativos como Solana (SOL) e Cardano (ADA) possam ser integrados futuramente como formas de garantia, ampliando ainda mais o leque de opções para o investidor sofisticado.
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Mãe, trader e apaixonada por mercado financeiro. Vanessa Souza trilhou um caminho autodidata no mundo dos investimentos e transformou esse aprendizado em jornalismo financeiro acessível. Acompanha diariamente a B3, analisa FIIs, ações e dividendos, e escreve para quem quer fazer o dinheiro trabalhar por si mesmo.




