Santander (SANB11) brilha no 2T24: Lucro de R$ 3,33 bi surpreende o mercado
Um respiro de otimismo em meio à volatilidade
Vamos ser sinceros: o mercado financeiro tem testado a paciência do investidor brasileiro em 2024. Entre incertezas fiscais e a volatilidade externa, encontrar portos seguros tem sido uma missão árdua. No entanto, nesta temporada de balanços, uma notícia trouxe um sorriso aos acionistas do setor bancário. O Santander Brasil (SANB11) não apenas divulgou seus números, mas entregou uma performance que superou as expectativas mais otimistas dos analistas da Faria Lima.
Enquanto o mercado global tremia com a desvalorização das gigantes de tecnologia nos EUA, o banco espanhol com alma brasileira mostrou que a “lição de casa” feita nos últimos trimestres começou a dar frutos suculentos. Estamos falando de um Lucro Líquido Gerencial de R$ 3,332 bilhões apenas no segundo trimestre de 2024 (2T24). Para entender a magnitude disso, precisamos mergulhar nos detalhes, no contexto histórico e, claro, no que isso significa para o seu bolso.

Os Números: Superando o Consenso
O número de R$ 3,33 bilhões não é apenas grande; ele é simbólico. Ele representa uma alta impressionante de 44,3% na comparação anual (ano contra ano) e um crescimento de 10,3% em relação ao trimestre imediatamente anterior. O mercado, que muitas vezes peca pelo excesso de cautela, esperava menos.
Segundo dados compilados pela LSEG, a expectativa média era de um lucro de R$ 3,19 bilhões. Ou seja, o Santander bateu o consenso em 4,4%. Pode parecer uma margem pequena à primeira vista, mas em um banco desse porte, cada ponto percentual acima do esperado sinaliza uma eficiência operacional gigantesca.
Mas o que realmente brilhou aos olhos dos investidores foi o retorno sobre o patrimônio. O famoso ROE (Return on Equity), que vinha sofrendo em trimestres passados, atingiu 15,5%. Ainda não estamos nos patamares históricos de 20% que os bancos brasileiros costumavam entregar na “era de ouro”, mas a tendência de alta é clara e consistente. O ROE subiu 1,4 ponto percentual (p.p.) no trimestre e 4,3 p.p. em doze meses.
O Contexto Macro: O Santander como Escudo no Ibovespa
Para entender a relevância desse resultado, precisamos olhar para o dia da divulgação. O cenário externo era caótico. As bolsas de Nova York sofreram sua pior queda desde 2022, arrastadas pelos resultados decepcionantes de gigantes como Tesla e Alphabet (Google). Esse mau humor global contaminou o Brasil, fazendo o Ibovespa recuar, fechando em queda de 0,13%, aos 126.422 pontos.
No entanto, as ações do Santander (SANB11) remaram contra essa maré vermelha. Graças à solidez dos resultados apresentados antes da abertura do mercado, os papéis do banco fecharam em alta, ajudando a segurar o índice brasileiro e impedindo um tombo maior. Você pode conferir os detalhes desse dia tenso no mercado financeiro nesta análise da Exame, que ilustra bem como o setor bancário serviu de contrapeso.
Por dentro do Balanço: Margem e Crédito
O segredo desse lucro não foi mágica, foi gestão. A Margem Financeira Bruta do banco totalizou R$ 14,7 bilhões, uma alta de 10,6% na comparação anual. Aqui, vale destacar a “Margem com Clientes”, que cresceu 3,4% no trimestre. Isso significa que o banco está ganhando mais dinheiro com suas operações principais de empréstimo e serviços, e não apenas com tesouraria.
Além disso, as receitas de prestação de serviços (as tarifas que pagamos) e as receitas do setor de seguros subiram 5,9% em um ano, somando R$ 5,06 bilhões. Isso mostra uma diversificação saudável das fontes de renda do banco.
O “Elefante na Sala”: A Inadimplência
Durante todo o ano de 2023, o grande medo dos investidores de bancos era a tal da inadimplência. Com a Selic alta e o endividamento das famílias, o risco de calote era real. O Santander foi um dos primeiros a “pisar no freio” na concessão de crédito lá atrás, limpando sua carteira de clientes mais arriscados. Agora, essa estratégia defensiva se provou correta.
O índice de inadimplência acima de 90 dias permaneceu estável em 3,2%. Mais importante ainda: a inadimplência de curto prazo (15 a 90 dias), que serve como um alerta antecipado de problemas futuros, caiu para 3,7%. Isso sinaliza que a qualidade da carteira de crédito do banco está melhorando.
Para quem estuda análise fundamentalista, sabe que a qualidade do crédito é tão vital quanto o lucro em si. Uma leitura aprofundada sobre como os ciclos de crédito afetam os grandes bancos pode ser vista em relatórios de instituições como o InfoMoney, que frequentemente discute a saúde financeira do setor bancário nacional.
A Carteira de Crédito Expandida
Com a casa mais arrumada e a inadimplência controlada, o Santander voltou a abrir a torneira do crédito, mas com cautela. A carteira de crédito ampliada encerrou junho de 2024 em R$ 665,6 bilhões. Isso representa uma alta de 7,8% em doze meses.
Onde o banco está emprestando? O foco tem sido em linhas mais seguras e rentáveis, evitando o “mar aberto” do crédito sem garantia que gerou dores de cabeça no passado. O crescimento foi impulsionado tanto pelo segmento de pessoas físicas quanto pelo financiamento ao consumo, mostrando que o banco acredita na resiliência do consumidor brasileiro, mesmo com os juros ainda em patamares restritivos.
Projeções Futuras: O que esperar de SANB11?
Olhando para o futuro, o cenário para o Santander Brasil parece construtivo, mas exige atenção. A melhora sequencial do ROE sugere que o pior momento operacional ficou em 2023. O banco está conseguindo repassar preços, controlar custos (as despesas operacionais cresceram abaixo da inflação no trimestre) e expandir a carteira com qualidade.
Para o investidor de Renda Mensal e dividendos, isso é música para os ouvidos. Lucros maiores e consistentes são a base para a distribuição de proventos. Embora o payout (porcentagem do lucro distribuído) possa variar conforme a estratégia de reinvestimento do banco, a base de cálculo — o lucro líquido — está crescendo.
Conclusão: É hora de comprar?
O resultado do 2T24 do Santander Brasil é uma prova de resiliência. Em um dia onde o mercado global de tecnologia derreteu e o Ibovespa sofreu, o banco mostrou que fundamentos sólidos e gestão de risco eficiente ainda são os reis do jogo.
Se você busca exposição ao setor bancário, o Santander demonstra estar em um ponto de inflexão positivo. A “limpeza” da carteira parece concluída e a rentabilidade está voltando. Claro, o cenário macroeconômico brasileiro, com suas incertezas fiscais, sempre pede cautela. Mas, analisando friamente os números, o banco entregou mais do que prometeu.
Como sempre, diversificação é a chave. Mas hoje, o acionista do Santander tem 3,33 bilhões de motivos para dormir um pouco mais tranquilo.



