Sabesp ou Copasa? Morgan Stanley revela a melhor ação de Saneamento?
Sabesp ou Copasa? O setor de saneamento básico no Brasil está atravessando uma das transformações mais profundas de sua história recente. Com a proximidade das metas estabelecidas pelo Novo Marco Legal do Saneamento, que prevê a universalização dos serviços de água e esgoto até 2033, o mercado financeiro mantém os olhos atentos às movimentações das grandes companhias do setor. Recentemente, um relatório do Morgan Stanley trouxe novos ventos para os investidores, reafirmando o favoritismo de uma gigante paulista enquanto adota cautela com outras estatais em processo de mudança.
A Revolução do Saneamento e as Metas de 2033
A busca por atingir 99% de acesso à água potável e 90% de coleta e tratamento de esgoto para toda a população brasileira não é apenas uma questão de saúde pública, mas um gigantesco motor econômico. O avanço das privatizações tem sido o principal combustível para acelerar os investimentos necessários. O cenário atual mostra que a gestão privada ou a capitalização dessas empresas tem conseguido ampliar a cobertura de forma mais ágil do que o modelo estatal tradicional.
Para o investidor, isso se traduz em oportunidades de crescimento inorgânico e melhorias operacionais que antes eram travadas por burocracias governamentais. No entanto, nem todas as ações do setor (conhecidas como “utilities“) oferecem o mesmo potencial de retorno neste momento.

Sabesp (SBSP3): A Preferida dos Analistas
A Sabesp continua consolidada como a principal escolha do Morgan Stanley no setor. Após o seu bem-sucedido processo de privatização, a companhia entrou em uma nova fase de eficiência. O banco elevou o preço-alvo para as ações SBSP3 de R$ 160 para R$ 162, mantendo a recomendação overweight (exposição acima da média).
Por que a Sabesp se destaca?
- Execução Pós-Privatização: A empresa já demonstra uma governança corporativa mais clara e agilidade na tomada de decisões.
- Redução de Custos: Existe um otimismo de que a companhia conseguirá reduzir despesas operacionais de forma mais agressiva do que o consenso do mercado prevê.
- Crescimento Inorgânico: A Sabesp está bem posicionada para participar de novos leilões, como o programa UniversalizaSP, expandindo sua área de atuação.
- Liquidez e Risco: Comparada aos seus pares, possui maior liquidez nas ações e um risco de inadimplência consideravelmente menor.
O potencial de valorização estimado gira em torno de 9%, com uma Taxa Interna de Retorno (TIR) real sobre o patrimônio líquido bastante atrativa, na casa dos 11,4%. Para quem busca segurança e crescimento no longo prazo, a Sabesp parece ser o porto seguro do setor. Você pode acompanhar as cotações em tempo real no site da B3 (Brasil, Bolsa, Balcão).
Copasa (CSMG3): O Desafio da Precificação
A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) vive um momento de euforia e incerteza simultâneos. Com a privatização prevista para o primeiro semestre de 2026, as ações CSMG3 tiveram uma valorização impressionante de 156% nos últimos doze meses.
Apesar de o Morgan Stanley ter dobrado o preço-alvo da ação para R$ 58, a recomendação permanece neutra. O motivo? O mercado já “comprou” grande parte das boas notícias. Os analistas acreditam que o preço atual já reflete as melhorias operacionais esperadas e a extensão da concessão até 2073. O risco aqui reside em eventuais entraves políticos que possam atrasar o leilão, o que causaria uma correção negativa imediata nos preços.
Investir em Copasa agora exige uma análise criteriosa sobre o prêmio de risco. Para entender melhor como essas privatizações impactam a economia nacional, vale consultar as diretrizes do Ministério do Desenvolvimento Regional.
Sanepar (SAPR11): A Última das Estatais?
Se a Copasa for privatizada, a Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná) se tornará a única grande concessionária de saneamento listada na bolsa que ainda permanece sob controle estatal direto. Sem sinais claros de privatização por parte do governo paranaense no curto prazo, a empresa é vista com cautela.
O Morgan Stanley elevou o preço-alvo de R$ 40 para R$ 48, mas mantém a recomendação neutra. A Sanepar é negociada a múltiplos que refletem sua condição de estatal, o que limita uma reavaliação expressiva das ações (re-rating) enquanto não houver um horizonte político favorável à venda do controle. Historicamente, essas ações tendem a andar apenas quando rumores de desestatização ganham força.
O Papel do Novo Marco Legal
É impossível falar de investimentos em saneamento sem mencionar a regulação. A ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) tem desempenhado um papel fundamental na padronização das normas do setor, o que traz maior segurança jurídica para investidores estrangeiros e grandes bancos como o Morgan Stanley.
A transformação mencionada pelo banco não é apenas financeira, mas estrutural. As empresas estão deixando de ser meras repartições públicas para se tornarem corporações focadas em metas de desempenho e satisfação do cliente.
Conclusão: Qual estratégia adotar?
Para o investidor que busca dividendos e valorização com menor volatilidade, a SBSP3 surge como a vencedora clara. Para aqueles que possuem maior apetite ao risco e acreditam na conclusão ágil de processos políticos, a Copasa (CSMG3) ainda pode oferecer surpresas, embora o espaço para lucro tenha diminuído. Já a Sanepar (SAPR11) permanece como uma opção de valor, aguardando um gatilho político que pode demorar a chegar.
Independente da escolha, o setor de saneamento se confirma como um dos pilares da infraestrutura brasileira para a próxima década. O investidor inteligente deve manter o foco nos fundamentos operacionais e na capacidade de execução de cada empresa diante do desafio da universalização.



