Quase 30% das Empresas da B3 Nunca Deram Prejuízo: Veja a Lista e Como Investir

EGIE3 ECONOMIA

No universo da renda variável, prejuízo é uma palavra que dá arrepios nos investidores. A consistência é um dos atributos mais valiosos para o investidor de longo prazo. Recentemente, um levantamento detalhado revelou um dado impressionante: quase 30% das empresas listadas na B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) nunca registraram prejuízo anual desde que abriram seu capital. Esse grupo seleto de companhias representa a “nata” do mercado financeiro brasileiro, demonstrando resiliência em diferentes ciclos econômicos, crises políticas e variações globais.

Investir em empresas lucrativas não é apenas uma estratégia de segurança, mas um pilar fundamental da análise fundamentalista. Afinal, o lucro é o que sustenta o pagamento de dividendos e o reinvestimento para o crescimento da operação. Quando uma empresa consegue atravessar décadas sem nunca “ficar no vermelho“, ela envia um sinal claro de eficiência operacional e vantagem competitiva sustentável.

O Que Define uma Empresa “À Prova de Crises”?

A sobrevivência e a rentabilidade contínua na bolsa brasileira não ocorrem por acaso. Para que uma empresa se mantenha no lucro por 10, 20 ou até 30 anos, ela geralmente possui características específicas:

  1. Modelo de Negócio Resiliente: Muitas dessas empresas atuam em setores perenes, como o setor elétrico, bancário ou de saneamento. São serviços essenciais que a população não deixa de consumir, independentemente da inflação ou taxa de juros.
  2. Gestão de Excelência: Governança corporativa rígida e alocação de capital eficiente são marcas registradas dessas companhias.
  3. Barreiras de Entrada: Muitas gozam de monopólios ou oligopólios naturais que dificultam a chegada de concorrentes.
Empresas da B3 Nunca Deram Prejuízo

Para entender mais sobre como avaliar esses ativos, vale consultar os fundamentos de Análise Fundamentalista para separar o preço do valor real de uma ação.

As Campeãs de Lucratividade na B3

O levantamento aponta que, de aproximadamente 400 empresas listadas, cerca de 117 mantêm o histórico imaculado. Entre os nomes mais conhecidos, destacam-se gigantes do setor bancário e de energia.

Setor Financeiro: O Porto Seguro

Bancos como o Itaú Unibanco (ITUB4) e o Bradesco (BBDC4) são exemplos clássicos. Historicamente, o sistema bancário brasileiro é um dos mais lucrativos do mundo, beneficiado por spreads elevados e uma tecnologia bancária de ponta. Mesmo em anos de recessão profunda no Brasil, essas instituições conseguiram adaptar suas carteiras de crédito para manter o lucro líquido positivo.

Setor Elétrico: Previsibilidade em Primeiro Lugar

Empresas como a Engie Brasil (EGIE3) e a Transmissão Paulista (TRPL4) figuram na lista. O modelo de concessões do setor elétrico permite uma previsibilidade de receita que pouquíssimos setores possuem. Com contratos corrigidos pela inflação (IPCA ou IGPM), essas empresas são verdadeiras “vacas leiteiras” de dividendos.

A Importância da Diversificação Internacional com BDRs

Embora o mercado brasileiro ofereça excelentes oportunidades, o investidor inteligente sabe que não deve limitar seu patrimônio a apenas uma moeda ou região. No passado, olhar para fora significava analisar ações como Apple ou Google. Hoje, através dos BDRs (Brazilian Depositary Receipts), você investe nessas gigantes diretamente pela B3.

Se você busca empresas globais que, assim como as brasileiras citadas, possuem lucros consistentes, pode considerar o AAPL34 (Apple), que domina o mercado de tecnologia, ou o GOGL34 (Alphabet/Google). Outro exemplo de resiliência global é a MSFT34 (Microsoft), que se reinventou através da nuvem e inteligência artificial, mantendo margens de lucro invejáveis.

Para entender o funcionamento desses ativos, o site da B3 sobre BDRs oferece o guia completo para o investidor pessoa física.

Lista de Algumas Empresas que Nunca Deram Prejuízo

Abaixo, listamos algumas das empresas que compõem esse grupo de elite na bolsa brasileira:

  • Itaú Unibanco (ITUB4)
  • Bradesco (BBDC4)
  • Engie Brasil (EGIE3)
  • WEG (WEGE3): Um fenômeno de crescimento e eficiência industrial.
  • Odontoprev (ODPV3): Líder em planos odontológicos com baixo custo de capital.
  • Porto Seguro (PSSA3): Referência em seguros automotivos e residenciais.

Riscos e Cuidados: Lucro Passado Não Garante Lucro Futuro

Apesar do histórico brilhante, o investidor não deve comprar uma ação apenas baseando-se no passado. O mercado é dinâmico. Mudanças tecnológicas, novas regulações ou má gestão podem transformar uma empresa lucrativa em uma empresa em dificuldades.

Por isso, é essencial acompanhar o Calendário de Dividendos e os balanços trimestrais para verificar se os fundamentos que mantiveram a empresa no lucro por tanto tempo continuam intactos. A análise deve ser constante e crítica.

Conclusão

Focar em empresas que nunca deram prejuízo é um excelente filtro inicial para montar uma carteira de investimentos sólida. Essas companhias provaram sua capacidade de sobrevivência em um cenário macroeconômico muitas vezes hostil. Ao combinar essas “joias” da B3 com a diversificação internacional via BDRs, o investidor constrói um portfólio robusto, focado na preservação de capital e na geração de riqueza a longo prazo.

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