O que esperar do 4T25 das construtoras após recorde de vendas?

AÇÕES CONSTRUÇÃO CIVIL ECONOMIA

O mercado imobiliário brasileiro encerrou o ciclo recente com um dado contundente: as vendas de imóveis atingiram níveis recordes, impulsionando as expectativas para o desempenho das construtoras no quarto trimestre de 2025 (4T25). Com o aumento do volume de lançamentos, maior absorção líquida e melhora operacional das companhias listadas na B3, investidores agora buscam entender se o ritmo pode ser sustentado e quais empresas devem apresentar os melhores resultados.

O que esperar do 4T25 das construtoras após recorde de vendas?

O 4T25 será determinante para consolidar tendências observadas ao longo do ano, principalmente no segmento de média e baixa renda, que segue beneficiado por políticas habitacionais e crédito direcionado.


Recorde de vendas e seus impactos no resultado trimestral

O aumento expressivo nas vendas contratadas (VGV – Valor Geral de Vendas) é o principal vetor para o crescimento de receita das construtoras. Quando as vendas superam lançamentos ou apresentam forte velocidade de comercialização (VSO), o efeito é positivo tanto no fluxo de caixa quanto na previsibilidade de receitas futuras.

Empresas focadas no programa habitacional de interesse social devem continuar apresentando maior resiliência, principalmente devido à demanda estrutural reprimida no Brasil. Segundo dados do mercado e indicadores macroeconômicos divulgados pelo IBGE, o déficit habitacional ainda permanece elevado, o que sustenta a demanda no longo prazo.

Além disso, o desempenho operacional das companhias tende a refletir:

  • Aumento de receita líquida no comparativo anual;
  • Crescimento do lucro bruto;
  • Melhoria de margens operacionais;
  • Redução de distratos;
  • Maior geração de caixa operacional.

Cenário macroeconômico: juros e crédito imobiliário

Um dos fatores centrais para o desempenho do setor é a trajetória da taxa básica de juros (Selic), definida pelo Banco Central do Brasil. A estabilização ou eventual redução dos juros tende a estimular o crédito imobiliário, reduzindo o custo de financiamento para o consumidor final.

Taxas de juros mais previsíveis ajudam as construtoras em três frentes:

  1. Planejamento de lançamentos
  2. Melhor acesso ao funding
  3. Aumento da confiança do comprador

Para acompanhar dados oficiais sobre política monetária e juros, investidores podem consultar diretamente o site do Banco Central:
www.bcb.gov.br


Destaques entre as construtoras listadas

Algumas companhias devem se destacar no 4T25, principalmente aquelas que apresentaram forte crescimento em vendas ao longo do ano.

MRV

Com foco no segmento popular, a empresa tende a continuar se beneficiando do volume robusto de vendas e do fortalecimento do programa habitacional. O desafio segue sendo a manutenção das margens, especialmente diante de custos de construção.

Cyrela

Atuando no segmento de média e alta renda, a companhia costuma apresentar margens superiores e maior previsibilidade em projetos. Caso mantenha forte VSO, pode surpreender positivamente no lucro líquido.

Direcional

Com estrutura operacional eficiente e foco em projetos de menor risco, a empresa pode continuar entregando crescimento consistente e forte geração de caixa.

Even

Mais exposta ao segmento de médio padrão, seu desempenho dependerá diretamente da absorção do mercado e do ritmo de lançamentos em grandes capitais.

Para acompanhar informações oficiais sobre as empresas listadas e seus resultados trimestrais, o investidor pode consultar o portal da B3:
https://www.b3.com.br


Margens: o ponto de atenção no 4T25

Apesar do recorde de vendas, o mercado permanece atento às margens. Custos de insumos como aço, cimento e mão de obra impactam diretamente o lucro bruto.

Construtoras que conseguiram repassar parte dos custos ao preço final tendem a apresentar melhor desempenho. Além disso, empresas com estoque de terrenos adquirido em ciclos anteriores (landbank antigo) geralmente operam com maior margem.

O 4T25 será importante para avaliar:

  • Margem bruta ajustada;
  • Margem EBITDA;
  • Lucro líquido recorrente;
  • Alavancagem financeira.

Geração de caixa e redução da alavancagem

Outro ponto crucial é a geração de caixa operacional. Recordes de vendas nem sempre significam entrada imediata de caixa, pois o reconhecimento contábil ocorre por regime de competência.

Empresas com ciclo financeiro mais curto devem apresentar:

  • Redução da dívida líquida;
  • Melhor índice Dívida Líquida/Patrimônio;
  • Maior capacidade de novos lançamentos em 2026.

O fortalecimento do caixa também reduz o risco percebido pelo mercado, impactando positivamente o valuation das ações.


O comportamento das ações na B3

Historicamente, o setor imobiliário apresenta alta sensibilidade às expectativas de juros e crescimento econômico. Quando o mercado antecipa melhora de resultados, as ações costumam reagir antes mesmo da divulgação oficial do balanço.

No entanto, após fortes altas, pode ocorrer realização de lucros no curto prazo.

Investidores devem observar:

  • Guidance das empresas;
  • Projeções de lançamentos para 2026;
  • Comentários sobre distratos;
  • Indicadores de VSO;
  • Estoque pronto disponível.

Indicadores fundamentais para analisar no 4T25

Para uma análise técnica e fundamentalista mais aprofundada, recomenda-se observar:

  • Preço/Lucro (P/L)
  • ROE (Retorno sobre Patrimônio)
  • Margem Líquida
  • Crescimento de Receita
  • Fluxo de Caixa Livre

Dados macroeconômicos atualizados podem ser acompanhados no portal oficial do IBGE:
https://www.ibge.gov.br


Perspectivas para 2026

Se o ritmo de vendas permanecer forte e os juros estabilizarem, o setor pode entrar em um novo ciclo positivo. Contudo, riscos permanecem:

  • Volatilidade macroeconômica;
  • Pressão inflacionária;
  • Restrição de crédito;
  • Aumento de distratos.

O 4T25 será, portanto, um divisor de águas. Resultados sólidos podem consolidar a retomada estrutural do setor imobiliário na bolsa brasileira.


Conclusão

O recorde de vendas observado ao longo de 2025 cria expectativas elevadas para o 4T25 das construtoras. Empresas com forte geração de caixa, margens preservadas e controle de alavancagem devem apresentar melhor desempenho.

O investidor atento deve analisar não apenas o crescimento de receita, mas a qualidade desse crescimento. Margens, caixa e perspectivas futuras serão determinantes para sustentar valorização das ações.

O setor imobiliário brasileiro mostra sinais de recuperação consistente, mas o mercado continuará seletivo, premiando eficiência operacional e disciplina financeira.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *