O FGC é um seguro simples e direto para pessoas físicas e jurídicas e ponto. Mas você já teve aquele medo de investir seu dinheiro em um banco e, de repente, o banco “quebrar” e você perder tudo? Esse é um receio comum, especialmente para quem está saindo da poupança e começando a explorar investimentos como CDBs, LCIs e LCAs. No entanto, existe um mecanismo no Brasil que funciona como um verdadeiro “seguro-saúde” para o seu patrimônio: o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Neste guia completo, vamos explicar de forma simples e direta o que é o FGC, como ele funciona, quais investimentos ele protege e quais são os limites de segurança para que você nunca mais tenha medo de investir em instituições menores.
1. O que é o Fundo Garantidor de Créditos (FGC)?
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que administra um mecanismo de proteção aos correntistas e investidores. Ele não é um órgão do governo, embora suas atividades sejam regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pelo Banco Central.
Imagine que o FGC é uma “vaquinha” obrigatória feita por todos os bancos e instituições financeiras do país. Todos os meses, essas instituições depositam uma pequena porcentagem de seus depósitos nesse fundo. Se um banco associado passar por uma intervenção ou liquidação (ou seja, falir), o FGC utiliza esse dinheiro acumulado para pagar os investidores.
O grande objetivo do FGC é manter a estabilidade do sistema financeiro nacional. Se as pessoas souberem que seu dinheiro está seguro, elas não correrão para sacar tudo ao primeiro sinal de crise, evitando um colapso em cadeia.

2. Como o FGC funciona na prática?
Quando uma instituição financeira sofre uma intervenção do Banco Central, o FGC entra em cena. O processo de pagamento não é instantâneo, mas hoje em dia é muito mais rápido do que no passado.
Atualmente, o processo é feito quase totalmente via aplicativo. O investidor baixa o app do FGC, faz o cadastro e, assim que a lista de credores é enviada pelo interventor, o dinheiro é liberado diretamente na conta informada. Recentemente, vimos casos reais como a liquidação do Banco Pleno e do Banco Master, onde o FGC atuou para garantir que ninguém saísse no prejuízo dentro dos limites permitidos.
3. Quais investimentos são garantidos pelo FGC?
Nem tudo o que você investe em um banco ou corretora está protegido pelo FGC. É crucial saber separar o que tem cobertura do que não tem.
Investimentos Protegidos:
- Conta Corrente e Poupança: Sim, aquele dinheiro parado na conta ou na caderneta está seguro.
- CDB (Certificado de Depósito Bancário): O queridinho da renda fixa.
- LCI e LCA (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio): Investimentos isentos de Imposto de Renda que possuem a mesma garantia.
- LC (Letras de Câmbio): Comuns em financeiras.
- Letras Imobiliárias e Hipotecárias.
Se você busca segurança, esses são os ativos onde deve focar. Para entender melhor a dinâmica das taxas que remuneram esses títulos, vale a pena acompanhar a evolução da Taxa Selic, que dita o ritmo da rentabilidade na renda fixa.
O que NÃO tem garantia do FGC:
- Fundos de Investimento: O patrimônio do fundo é separado do banco.
- Ações e BDRs: Renda variável não tem seguro contra perdas de mercado. Se você investe em BDRs da Apple (AAPL34) ou em BDRs do Google (GOGL34), seu risco é a variação da empresa e do dólar.
- Debêntures: São dívidas de empresas, não de bancos.
- CRI e CRA: Certificados de Recebíveis também não contam com a proteção do fundo.
4. Quais são os limites de cobertura?
Aqui está a regra de ouro que todo investidor precisa decorar: R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira.
Isso significa que, se você tem R$ 200 mil em um banco e ele quebra, o FGC te devolve tudo (principal + rendimentos até a data da quebra). Se você tem R$ 300 mil, você recebe R$ 250 mil e perde os R$ 50 mil excedentes.
O Teto de 1 Milhão
Existe uma regra adicional criada para evitar que investidores muito grandes fiquem “pulando” de banco em banco apenas pela garantia. O limite global é de R$ 1 milhão a cada 4 anos.
Funciona assim: se você usar a garantia para recuperar R$ 250 mil hoje, seu saldo disponível de garantia para os próximos 4 anos passa a ser de R$ 750 mil. Após 4 anos de cada pagamento, o limite daquela parcela se renova.
5. Estratégias para investir com segurança total
Para quem é leigo, a melhor forma de investir usando o FGC a seu favor é a diversificação.
Se você tem R$ 500 mil para investir em renda fixa, não coloque tudo em um único banco de médio porte, mesmo que a taxa seja ótima. Divida esse valor em duas instituições diferentes (R$ 250 mil em cada). Assim, mesmo em um cenário de desastre onde ambas quebrem, você está 100% coberto.
Lembre-se: o limite de R$ 250 mil inclui o que você investiu mais os juros. Portanto, o ideal é investir um pouco menos (cerca de R$ 220 mil) para deixar margem para os rendimentos crescerem dentro da garantia.
6. Por que os bancos menores pagam mais?
Você já reparou que o “Banco X” que ninguém conhece oferece um CDB de 120% do CDI, enquanto o bancão oferece apenas 100%? Isso acontece porque o risco de crédito do banco menor é maior.
Como ele é menos conhecido, ele precisa oferecer um “prêmio” (mais rentabilidade) para atrair investidores. É aqui que o FGC se torna seu melhor amigo: ele permite que você aproveite as taxas altas dos bancos pequenos com a mesma segurança (até o limite) que teria em um banco gigante.
Conclusão
O Fundo Garantidor de Créditos é o pilar que sustenta a confiança do pequeno investidor brasileiro. Graças a ele, é possível rentabilizar o patrimônio de forma agressiva na renda fixa sem perder o sono.
Antes de investir, verifique sempre se a instituição é associada ao FGC (a grande maioria é) e nunca ultrapasse os limites estabelecidos. Com conhecimento e estratégia, o risco de “perder dinheiro no banco” torna-se praticamente nulo para quem sabe usar as regras do jogo a seu favor.



