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Vale (VALE3) Projeta Investimento de US$ 3,5 Bi em Cobre até 2030

A mineradora Vale (VALE3) acaba de reafirmar seu compromisso com a transição energética e o crescimento sustentável ao anunciar uma atualização significativa em suas projeções financeiras e operacionais. Em comunicado oficial ao mercado, a companhia revelou que planeja investir aproximadamente US$ 3,5 bilhões em projetos de cobre na região de Carajás no período compreendido entre 2026 e 2030.

Este movimento estratégico não apenas reforça a posição da mineradora como uma das maiores mineradoras do mundo, mas também sinaliza uma diversificação robusta para além do minério de ferro, focando em metais críticos para o futuro eletrificado do planeta. Se você investe em ações ou acompanha os dividendos da empresa, entender esses números é fundamental para a sua tese de investimento.

O Foco no Cobre e a Região de Carajás

A região de Carajás, no Pará, já é mundialmente conhecida pela altíssima qualidade de seu minério de ferro. No entanto, o potencial para metais básicos, especialmente o cobre, tem se tornado o novo “ouro” da mineradora. O montante de US$ 3,5 bilhões será destinado ao desenvolvimento de projetos de crescimento, com destaque para o projeto Bacaba.

O cobre é um componente essencial na fabricação de veículos elétricos, sistemas de energia solar e infraestrutura de redes elétricas. Ao acelerar os aportes nessa frente, a mineradora busca capturar o prêmio de valorização que o metal deve apresentar nas próximas décadas devido à escassez de oferta global frente à demanda crescente.

Detalhes das Projeções de Fluxo de Caixa

Além do cronograma de investimentos (Capex), a V ale trouxe números detalhados sobre a sensibilidade do seu fluxo de caixa para 2026. A estimativa é que o Fluxo de Caixa Livre para o Acionista (FCFE) fique entre US$ 4,6 bilhões e US$ 5,7 bilhões em 2026.

Esses cálculos consideram premissas importantes de mercado:

Para o investidor que busca rentabilidade, a companhia projeta um FCFE Yield (rendimento do fluxo de caixa livre) aproximado de 7,0% a 8,5%, um indicador de saúde financeira extremamente atrativo para o setor de mineração.

Desafios e Governança na Mineradora

Apesar dos números robustos, o caminho não é isento de desafios. A empresacontinua provisionando recursos para compromissos históricos e operacionais. Cerca de US$ 0,7 bilhão serão destinados em 2026 para despesas relacionadas a Brumadinho e à descaracterização de barragens, reforçando a agenda ESG da companhia.

No campo da governança, o anúncio ocorreu simultaneamente à saída de João Luiz Fukunaga do Conselho de Administração. A empresa informou que o conselho analisará as medidas cabíveis para a sucessão e manutenção da estabilidade institucional, ponto que sempre é observado de perto pelos grandes fundos de investimento.

Metais Básicos: Uma Nova Gigante?

O braço de Metais Básicos da mineradora tem ganhado independência operacional. Para 2026, a estimativa de Fluxo de Caixa Livre apenas para esta unidade é de cerca de US$ 1,1 bilhão. Essa separação permite que o mercado precifique melhor os ativos de cobre e níquel, que possuem dinâmicas de preços diferentes do minério de ferro chinês.

Se você acompanha o mercado internacional e as BDRs de mineradoras, sabe que a comparação com pares globais como a Rio Tinto (RIOT34) e a BHP (BHPN34) é constante. Com esse novo plano de investimento, tenta reduzir o “gap” de valuation em relação às suas concorrentes globais que já possuem exposição mais agressiva ao minério.

Hora de investir em VALE3 agora?

A análise de indicadores fundamentalistas mostra que a Vale negocia atualmente a múltiplos interessantes, em torno de 4,8 vezes o EV/Ebitda projetado para 2026. A combinação de uma forte geração de caixa com investimentos focados em metais do futuro coloca a empresa em uma posição estratégica.

Contudo, o investidor deve monitorar a volatilidade das commodities e o cenário econômico da China, que ainda exerce grande influência sobre a cotação das ações brasileiras.

Conclusão

O anúncio de US$ 3,5 bilhões em Carajás até 2030 é um divisor de águas para a tese de crescimento da empresa no segmento de cobre. A mineradora deixa claro que, embora o minério de ferro continue sendo seu “core business”, o futuro da companhia será tingido pelo cobre e pelo níquel.

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