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Vale (VALE3) Amarga Prejuízo de US$ 3,8 Bilhões: O Que o Investidor Precisa Saber?


O mercado financeiro foi surpreendido pelos números recentes da Vale (VALE3) referentes ao quarto trimestre de 2025. A gigante da mineração reportou um prejuízo líquido atribuído aos acionistas de US$ 3,8 bilhões. O valor representa uma reversão drástica em relação ao lucro de US$ 2,7 bilhões registrado no terceiro trimestre do mesmo ano.

Embora o número “prejuízo” salte aos olhos e gere receio em investidores menos experientes, uma análise aprofundada do balanço revela que a saúde operacional da companhia e sua disciplina financeira permanecem resilientes. Neste artigo, vamos destrinchar os motivos desse prejuízo contábil, a redução da dívida e por que a Vale conseguiu cumprir suas metas (guidances) para o ano de 2025.

Por que a Vale teve prejuízo? Entenda os Impactos Não Recorrentes

O prejuízo de US$ 3,8 bilhões não foi causado por uma falha nas vendas de minério ou por uma operação ineficiente. Pelo contrário, a “última linha” do balanço foi pressionada por eventos específicos e, em grande parte, não recorrentes.

1. Despesas com Brumadinho e Reparação

A Vale continua comprometida com os acordos de reparação relacionados ao rompimento da barragem de Brumadinho. No 4T25, as despesas vinculadas a esse processo e à descaracterização de barragens somaram US$ 246 milhões, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.

2. Ajustes em Contratos de Streaming

Outro fator determinante foram os ajustes em contratos de streaming. Para quem não está familiarizado, o streaming é uma modalidade onde a mineradora recebe pagamentos antecipados por parte de sua produção futura. Oscilações de mercado e revisões contratuais geraram um impacto contábil negativo neste trimestre.

3. Pressão Tributária (Imposto de Renda)

Um dos maiores “vilões” do lucro líquido foi a despesa tributária. A companhia reconheceu um montante de US$ 2,1 bilhões em Imposto de Renda e Contribuição Social. Esse efeito fiscal é puramente contábil em muitos aspectos, mas drena o resultado final reportado aos acionistas.

O Lado Positivo: Receita e Ebitda em Alta

Se o lucro líquido sofreu, o desempenho operacional foi na direção oposta. A receita líquida de vendas da Vale atingiu US$ 11,1 bilhões, um crescimento de 9% na comparação anual.

O Ebitda Proforma (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que é a métrica que melhor reflete a capacidade de geração de caixa da empresa, somou US$ 4,8 bilhões. Esse valor representa um salto de 17% em relação ao 4T24, impulsionado principalmente pela divisão de metais básicos e pelos preços favoráveis do cobre.

Metais Básicos: O Futuro da Vale?

Enquanto o minério de ferro continua sendo o carro-chefe, a divisão de Metais Básicos (Cobre e Níquel) mostrou força. A produção de cobre alcançou 108 mil toneladas, com um preço realizado de US$ 11.003 por tonelada — uma alta impressionante de 20%.

Essa diversificação é crucial para a tese de investimento na VALE3, especialmente com a crescente demanda global por metais ligados à transição energética e veículos elétricos. Para entender melhor como essas commodities influenciam o mercado, vale conferir as análises da B3 sobre o setor de mineração.

Redução de Dívida e Alavancagem Confortável

Um dos pontos mais elogiados pelos analistas foi a gestão do passivo. Mesmo em um trimestre de prejuízo contábil, a Vale reduziu sua dívida líquida para US$ 11,2 bilhões, uma queda de 10% frente ao trimestre anterior.

A alavancagem financeira, medida pela relação Dívida Líquida/Ebitda, ficou em confortáveis 1,2 vez. Isso demonstra que a empresa possui um balanço extremamente sólido e baixo risco de crédito, permitindo que continue focada em sua política de dividendos e investimentos estratégicos.

Cumprimento dos Guidances de 2025

A companhia fechou o ano de 2025 com o “dever de casa” feito. Todas as metas de produção e custos (guidances) foram atingidas ou superadas. No acumulado do ano, a receita somou US$ 38,4 bilhões e o Ebitda ajustado foi de US$ 15,5 bilhões.

O lucro líquido anual fechou em US$ 2,4 bilhões, uma queda de 62% contra 2024, mas totalmente justificada pelos impactos extraordinários já mencionados. Para o investidor focado em dividendos, o Dividend Yield da Vale continua sendo um dos mais atrativos do Ibovespa, girando em torno de 8,54%.

Vale a Pena Investir em VALE3 Agora?

A decisão de investir depende do perfil de risco e horizonte de tempo. No entanto, alguns pontos devem ser considerados:

  1. Valuation: A Vale negocia a múltiplos historicamente baixos comparados a seus pares globais como Rio Tinto e BHP.
  2. Geração de Caixa: A capacidade da empresa de gerar caixa livre, mesmo sob pressão, é um diferencial competitivo.
  3. Dividendos: A Vale mantém o compromisso de distribuir uma parte significativa de seus resultados aos acionistas.

Para acompanhar as atualizações em tempo real e o sentimento do mercado, recomendamos acompanhar o portal da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para fatos relevantes.

Conclusão

O prejuízo de US$ 3,8 bilhões da Vale no 4T25 é um “ruído” contábil que esconde uma operação que vai muito bem. Com dívida em queda, produção em alta e foco em metais estratégicos, a mineradora mostra que está preparada para enfrentar a volatilidade do mercado de commodities em 2026.

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