Ícone do site Renda Mensal

São Paulo Lidera Mercado de Escritórios na América Latina

O mercado de escritorios ou melhor dizendo o mercado imobiliário corporativo da América Latina está a testemunhar um fenómeno de centralização e crescimento robusto, com a cidade de São Paulo posicionada firmemente no epicentro desta transformação. Recentemente, dados consolidados pela consultoria JLL revelaram que a capital paulista foi responsável por impressionantes 31% de toda a área de escritórios ocupada na região nos últimos quatro trimestres. Esse desempenho não apenas isola São Paulo como o principal hub de negócios do continente, mas também sinaliza uma recuperação definitiva das lajes corporativas de escritórios, no cenário pós-pandemia.

Neste artigo, exploraremos os fatores que levaram a essa liderança, os números que sustentam o otimismo dos investidores e o que esperar para o futuro do setor imocotas FIIbiliário de alto padrão na maior metrópole do Brasil.

A Hegemonia Paulistana no Cenário Latino-Americano

A liderança de São Paulo no mercado de escritórios da América Latina é reflexo de uma combinação de resiliência económica e a constante busca por eficiência pelas grandes empresas. Com mais de 364 mil m² negociados no último ano, a cidade superou outros grandes centros como Cidade do México e Santiago.

O que chama a atenção dos analistas é a velocidade da absorção de espaços. Entre o segundo semestre de 2024 e o início de 2025, a região latino-americana como um todo teve uma alta de 43% no saldo de ocupação. No entanto, São Paulo absorveu a maior fatia dessa demanda, demonstrando que, apesar da adoção de modelos híbridos de trabalho, a presença física em escritórios Classe A e AAA continua a ser um pilar estratégico para as companhias.

Indicadores de Mercado: Vacância em Queda e Preços em Alta

Um dos principais termómetros do setor é a taxa de vacância. Segundo dados da Newmark, a vacância em São Paulo recuou para 15,9%, o menor nível registado desde 2012. Esse dado é fundamental para entender o atual ciclo imobiliário: quando a vacância cai de forma consistente, o poder de negociação começa a migrar das mãos dos inquilinos para os proprietários.

Diferentes consultorias apresentam números ligeiramente distintos devido às suas metodologias, mas a tendência é unânime:

Essa escassez de espaços premium reflete diretamente no valor do metro quadrado. O mercado de investimentos imobiliários tem observado atentamente a recomposição de preços. Em regiões como a Avenida Faria Lima, os valores de locação de escritórios já ultrapassam a marca de R$ 300 por metro quadrado, um patamar histórico que evidencia a exclusividade e a demanda reprimida por localizações privilegiadas.

Os Eixos de Maior Tração: Onde as Empresas Querem Estar?

Nem todas as regiões de São Paulo crescem no mesmo ritmo. O mercado corporativo paulistano é segmentado em eixos específicos que concentram a maior parte da liquidez. De acordo com o BTG Pactual, três áreas destacaram-se no último trimestre:

  1. Faria Lima: Mantém-se como o “coração financeiro” do país, com a menor vacância e os maiores preços.
  2. Marginal Pinheiros: Tem atraído grandes empresas de tecnologia e serviços que buscam lajes amplas e edifícios modernos.
  3. Chucri Zaidan: Consolidou-se como a nova fronteira corporativa, oferecendo infraestrutura de ponta e edifícios com certificações de sustentabilidade (LEED).

Regiões adjacentes também começam a ver uma absorção positiva, à medida que as empresas buscam alternativas viáveis próximas aos eixos centrais que já atingiram a sua capacidade máxima.

O Papel dos Fundos Imobiliários (FIIs)

Para o investidor pessoa física, essa retomada do mercado de escritórios é uma excelente notícia, especialmente para quem possui cotas de Fundos Imobiliários de tijolo focados em lajes corporativas. O aumento dos alugueres e a redução da vacância impactam diretamente na distribuição de dividendos e na valorização das cotas no mercado secundário.

A recomposição de preços reportada de 6% em média no último ano mostra que os contratos estão a ser renovados acima da inflação em muitos casos, garantindo um ganho real para as carteiras de investimento.

Conclusão: O Ciclo de Alta está Apenas a Começar?

Os dados convergem para um cenário de otimismo. A absorção líquida robusta, somada a uma oferta de novos edifícios que não deve crescer na mesma velocidade da demanda nos próximos dois anos, sugere que São Paulo continuará a liderar o mercado latino-americano por um bom tempo.

A consolidação das lajes corporativas no pós-pandemia prova que o escritório físico evoluiu de um simples local de trabalho para um centro de cultura organizacional e inovação. Para investidores e empresas, o momento é de atenção estratégica: o mercado está a estreitar-se, e as oportunidades em ativos de alta qualidade estão a tornar-se cada vez mais escassas e valiosas.

Sair da versão mobile