O mercado de Fundos Imobiliários (FIIs) começou 2026 com movimentações estratégicas que prometem reaquecer o setor de lajes corporativas. O grande destaque do momento é o fundo Autonomy Edifícios Corporativos (AIEC11), que anunciou recentemente a locação total de um dos ativos mais icônicos de seu portfólio: o Standard Building, localizado no coração do Rio de Janeiro.
A notícia não apenas reforça a resiliência dos imóveis de alto padrão e valor histórico, mas também impulsionou as cotas do fundo, que já acumulam uma alta superior a 11% apenas nos primeiros meses de 2026. Neste artigo, vamos detalhar os termos desse novo contrato, a situação financeira do AIEC11 e o que esperar dos dividendos para o investidor que busca renda passiva.
O Renascimento do Standard Building no Rio de Janeiro
Erguido em 1935, o Standard Building é muito mais do que um simples prédio de escritórios; é um símbolo arquitetônico tombado, situado estrategicamente próximo à Baía de Guanabara. Com uma vista privilegiada para os principais cartões-postais cariocas, o edifício passou por uma modernização completa (retrofit) em 2007, unindo o charme histórico à infraestrutura tecnológica exigida por grandes corporações.
Detalhes do Novo Contrato de Locação
O fundo AIEC11 celebrou um contrato de locação de 100% do imóvel, que possui uma Área Bruta Locável (ABL) de aproximadamente 8,5 mil metros quadrados. O acordo tem duração de cinco anos e foi firmado com uma empresa de grande porte, cujo nome reforça a qualidade do ativo.
De acordo com a gestão do fundo, a nova receita estimada é de R$ 0,132 por cota ao mês (após períodos de carência e descontos graduais). Isso representa um cap rate (taxa de retorno sobre o valor do imóvel) de 13,3% ao ano sobre o valor patrimonial, um número extremamente atrativo para o cenário atual.
Desempenho do AIEC11 em 2026 vs. IFIX
Enquanto o IFIX (índice que mede o desempenho médio dos FIIs na B3) apresenta uma alta moderada de 1,95% no acumulado do ano, o AIEC11 disparou 11%. Essa valorização reflete o otimismo do mercado com a redução da vacância física do fundo e a capacidade de geração de caixa recorrente.
Para se ter uma ideia, uma simulação baseada em dados do Investidor10 mostra que um investimento de R$ 1.000,00 feito no fundo há 12 meses, com o reinvestimento de dividendos, teria se transformado em aproximadamente R$ 1.403,13 em fevereiro de 2026. Comparativamente, o mesmo valor no IFIX teria rendido R$ 1.276,41.
Por que os FIIs de Lajes Corporativas Estão Subindo?
Especialistas do mercado financeiro, incluindo analistas do BTG Pactual, apontam que o setor de escritórios é o que possui o maior “gap” de valorização. Com o ciclo de queda da taxa Selic consolidado em 2026, os investidores tendem a migrar da renda fixa para ativos de risco que ofereçam rendimentos reais acima da inflação.
Diversificação e Portfólio
Além do Standard Building no Rio, o AIEC11 detém a Torre D do Complexo Rochaverá Diamond Tower em São Paulo, um dos ativos mais premium do país, com 14,6 mil metros quadrados de ABL. Essa exposição ao eixo Rio-São Paulo permite ao cotista diversificar o risco geográfico dentro de um único veículo de investimento.
Conclusão: É hora de comprar AIEC11?
Com um P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial) ainda em patamares que sugerem desconto (cerca de 0,75), o AIEC11 parece ter espaço para continuar sua trajetória de alta. A locação do Standard Building elimina um dos principais gargalos do fundo — a vacância no Rio de Janeiro — e traz previsibilidade para a distribuição de proventos.
No entanto, é fundamental que o investidor analise seu perfil de risco e mantenha uma estratégia de longo prazo, sempre acompanhando os relatórios gerenciais na plataforma da B3.
