As ações da Usiminas (USIM5) registram forte valorização no pregão desta sexta-feira (24), reagindo com vigor logo na abertura do mercado. O movimento ocorre após a gigante siderúrgica inaugurar a temporada de balanços do 1T26 com números que superaram até as projeções mais otimistas.
O setor de siderurgia e mineração costuma ser o termômetro da economia real. Quando as chaminés das fábricas operam a pleno vapor, o mercado financeiro sente o reflexo imediato nos terminais de negociação da B3.
Nesta manhã, a Usiminas (USIM5) protagonizou um movimento robusto após a divulgação dos seus resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26). O lucro líquido da companhia atingiu a marca de R$ 896,1 milhões.
Este número representa um salto impressionante de 596% em relação ao último trimestre de 2025. Na comparação anual, o crescimento foi de 166%, superando as projeções mais otimistas de grandes casas de análise.
As ações da gigante siderúrgica reagiram prontamente, registrando altas superiores a 6% logo na abertura do pregão. Para o investidor iniciante ou experiente, esse movimento é a resposta direta a um balanço que “limpou” incertezas operacionais.

O coração do resultado: A força da siderurgia nacional
Para entender por que o mercado está tão empolgado, precisamos olhar para além do número final. O grande motor deste trimestre foi a divisão de aço, que mostrou uma resiliência notável diante de desafios globais.
O Ebitda ajustado — que é o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — somou R$ 653,1 milhões. Este indicador é fundamental porque mostra quanto a empresa gera de caixa apenas com sua operação principal.
A margem Ebitda ficou em 11,1%, refletindo uma gestão de custos eficiente. Enquanto a receita líquida teve uma leve queda de 5% no trimestre (totalizando R$ 5,87 bilhões), a rentabilidade por tonelada produzida subiu.
Isso aconteceu devido a um “mix” de vendas mais inteligente. A companhia focou em produtos de maior valor agregado, especialmente para o setor automotivo, que demanda aços especiais e mais caros.
Para conferir detalhes sobre a estrutura societária e governança da companhia, você pode acessar o portal de Relações com Investidores da Usiminas.
Recuperação operacional e eficiência em custos
A siderurgia da companhia entregou um Ebitda de R$ 544 milhões, um avanço de 140% comparado ao trimestre anterior. Esse ganho de eficiência é o que os analistas chamam de “alavancagem operacional”.
Mesmo com um volume total de vendas menor (cerca de 1 milhão de toneladas), a empresa conseguiu cobrar mais caro por cada quilo de aço vendido. Além disso, houve uma queda de 1,8% no custo por tonelada.
Essa redução de custos foi beneficiada pela valorização do real frente ao dólar e por melhorias nos processos internos. Para o mercado, uma empresa que ganha mais vendendo um volume menor é sinal de saúde financeira.
Analistas destacam que os preços realizados no mercado interno foram fundamentais para compensar a fraqueza nas exportações. O foco doméstico se mostrou a estratégia correta para o momento atual da economia brasileira.
O papel das medidas governamentais no setor
Um ponto que não pode ser ignorado na análise da Usiminas (USIM5) é a mudança no ambiente competitivo. O setor siderúrgico brasileiro vinha sofrendo com a entrada massiva de aço importado, principalmente da China.
Recentemente, a implementação de medidas antidumping — que são impostos para evitar a venda de produtos estrangeiros abaixo do preço de custo — começou a surtir efeito. Isso protege a indústria nacional.
Com a redução da pressão dos importados, as siderúrgicas locais ganharam fôlego para recuperar preços. Essa dinâmica permitiu que a companhia ajustasse suas margens sem perder mercado para competidores externos.
O setor agora espera um reequilíbrio gradual entre oferta e demanda. O investidor deve observar se essa proteção tarifária será mantida a longo prazo para sustentar os níveis atuais de rentabilidade.
Para entender mais sobre as normas que regem o mercado de capitais e as obrigações das empresas listadas, visite o site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Mineração: O contraponto negativo do balanço
Nem tudo foi brilho no resultado da Usiminas (USIM5). Se a siderurgia voou, o braço de mineração da companhia enfrentou ventos contrários significativos no primeiro trimestre de 2026.
A divisão de mineração registrou um Ebitda de R$ 111 milhões, impactada por uma queda brusca de 21% no volume de vendas de minério de ferro. Foram 1,946 milhão de toneladas comercializadas no período.
Essa retração foi causada por uma combinação de fatores: chuvas intensas que dificultaram a extração e uma sazonalidade historicamente mais fraca no início do ano. Além disso, os custos de produção subiram.
A menor diluição de despesas fixas pesou nas margens do segmento. Quando a empresa produz menos, o custo de manter a estrutura dividida por tonelada acaba ficando mais alto, reduzindo o lucro por unidade.
Saúde financeira e alavancagem sob controle
Um dos pontos mais elogiados pelos analistas foi a solidez do balanço. A companhia encerrou o trimestre com um caixa líquido de R$ 391 milhões, uma posição extremamente confortável para qualquer gigante industrial.
A alavancagem, medida pela relação entre dívida e Ebitda, ficou em patamares negativos (-0,20x). Isso significa que a empresa possui mais dinheiro em caixa do que dívidas a vencer no curto e médio prazo.
O fluxo de caixa livre foi positivo em R$ 84 milhões, mesmo após investimentos (Capex) de R$ 285 milhões. Ter caixa sobrando após investir na própria operação é o “padrão ouro” da eficiência corporativa.
O resultado financeiro também colaborou, com um ganho de R$ 110 milhões. Esse valor reverteu perdas de trimestres anteriores, sendo impulsionado principalmente pelas variações cambiais favoráveis no período.
O que esperar para os próximos meses?
A direção da Usiminas (USIM5) projeta um segundo trimestre de estabilidade. A expectativa é que os preços mais altos do aço continuem compensando as pressões de custos que ainda persistem na cadeia produtiva.
No lado da mineração, a previsão é de volumes maiores com o fim do período chuvoso. Contudo, os custos operacionais devem permanecer como um desafio a ser monitorado de perto pelos acionistas.
Instituições financeiras divergem sobre o preço-alvo, mas a maioria concorda que o pior já passou. O foco agora se volta para a capacidade da empresa de manter a eficiência de custos demonstrada neste balanço.
Para você que é um investidor iniciante ou experiente, o caso da companhia hoje serve como uma lição: resultados operacionais surpreendentes têm o poder de transformar o sentimento do mercado em questão de minutos.
Mãe, trader e apaixonada por mercado financeiro. Vanessa Souza trilhou um caminho autodidata no mundo dos investimentos e transformou esse aprendizado em jornalismo financeiro acessível. Acompanha diariamente a B3, analisa FIIs, ações e dividendos, e escreve para quem quer fazer o dinheiro trabalhar por si mesmo.




