O setor de papel e celulose é um dos pilares da economia brasileira na Bolsa de Valores, e a divulgação dos resultados do quarto trimestre (4T) é sempre um divisor de águas para os investidores. Recentemente, o mercado presenciou um cenário de “duas realidades” distintas para as gigantes do setor: a Suzano (SUZB3) e a Klabin (KLBN11). Enquanto as ações da Suzano saltaram cerca de 8%, refletindo um otimismo contagiante, a Klabin registrou uma alta muito mais discreta, deixando analistas com visões mistas sobre seu desempenho operacional.
Neste artigo, vamos mergulhar nos detalhes desses balanços, analisar o que levou a essa discrepância de performance e entender o que esperar para o futuro das commodities florestais no Brasil.
Suzano (SUZB3): O Triunfo da Eficiência e da Recompra
O desempenho da Suzano no 4T foi classificado por grandes casas de análise, como BTG Pactual e XP Investimentos, como “sólido” e “acima das expectativas”. O principal motor desse otimismo foi a combinação de volumes de vendas elevados e uma gestão de custos primorosa.
Volumes Fortes e Custos em Queda
Diferente de períodos anteriores onde o mercado temia um excesso de oferta, a Suzano conseguiu entregar volumes de venda tanto em celulose quanto em papel que surpreenderam positivamente. Mais do que vender muito, a empresa vendeu “bem”. Os custos de produção atingiram mínimas de vários anos, o que impulsionou a margem Ebitda.
O projeto Cerrado, uma das maiores apostas da companhia, começou a mostrar sua força, contribuindo para uma estratégia comercial mais agressiva e eficiente. Segundo o Itaú BBA, a geração de fluxo de caixa livre operacional foi de robustos R$ 3,4 bilhões, permitindo que a alavancagem financeira da empresa recuasse para 3,2 vezes.
O Programa de Recompra: Um Sinal de Confiança
Um dos grandes catalisadores para a alta de 8% nas ações foi o anúncio de um novo programa de recompra de ações, equivalente a 6,5% dos papéis em circulação. Para o investidor, isso é um sinal claro da gestão de que as ações estão subvalorizadas. Quando uma empresa compra suas próprias ações, ela demonstra confiança no seu fluxo de caixa futuro e gera valor direto para o acionista remanescente.
Klabin (KLBN11): Desempenho Misto e Desafios no Horizonte
Se por um lado a Suzano foi aplaudida, a Klabin enfrentou uma recepção mais morna. Embora o Ebitda tenha vindo dentro ou levemente acima do esperado em alguns modelos, a “qualidade” desse resultado gerou debates.
Dependência de Vendas de Ativos
Grande parte do resultado operacional positivo da Klabin no trimestre veio de vendas de madeira em pé e transações florestais. Analistas do Bradesco BBI apontaram que, sem esses eventos pontuais, o resultado operacional recorrente teria sido mais pressionado. A divisão de celulose da Klabin sofreu com preços realizados menores do que o previsto, o que pesou no balanço final.
Fluxo de Caixa Negativo
Um ponto que acendeu o sinal amarelo para alguns investidores foi o fluxo de caixa livre (FCF) negativo em cerca de R$ 652 milhões. De acordo com o JPMorgan, isso foi reflexo de um consumo maior de capital de giro e investimentos contínuos. Embora a Klabin seja reconhecida por sua resiliência e modelo de negócio integrado (papel, embalagem e celulose), o momento atual exige uma seletividade maior, e o mercado parece ter preferido a clareza da geração de caixa.
O Que Esperar para o Setor de Papel e Celulose em 2026?
A dinâmica de preços da celulose na China continua sendo o principal fator de risco e oportunidade para ambas as companhias. Atualmente, observa-se uma pressão nos preços devido ao aumento da capacidade integrada no mercado chinês, mas analistas acreditam que a assimetria ainda é favorável para as empresas brasileiras devido ao baixo custo de produção.
Recomendações dos Analistas
- Suzano (SUZB3): A maioria dos bancos, incluindo Goldman Sachs e BTG, mantém recomendação de compra, com preços-alvo que chegam a R$ 77,50 (JPMorgan). A tese é baseada na forte geração de caixa e retorno via dividendos ou recompras.
- Klabin (KLBN11): Embora ainda receba recomendações de compra por seu valor intrínseco e estabilidade, muitos analistas migraram sua preferência para a S u z a n o no curto prazo, buscando capturar o momento de desalavancagem e eficiência da produtora de celulose de eucalipto.
Para quem busca investir no setor, é fundamental acompanhar os dados de exportação e a demanda global por embalagens, que tende a crescer com o fortalecimento do e-commerce mundial.
Conclusão
Os balanços do 4T mostraram que, mesmo em um setor de commodities, a execução operacional faz toda a diferença. A S u z a n o brilhou ao entregar eficiência e retornar capital ao acionista, enquanto a Klabin navega em águas mais turbulentas, aguardando a maturação de seus investimentos. Para o investidor de longo prazo, ambas continuam sendo ativos de alta qualidade na B3 (Bolsa de Valores Brasileira), mas o momento atual favorece o ímpeto da S u z a n o.

