Sabe aquele momento em que o mercado parece ignorar a lógica de proteção e vende tudo o que vê pela frente? Quando o medo de perder dinheiro bate? Pois é, foi exatamente isso que presenciamos recentemente e fez o mercado derreter rapidamente. O ouro e a prata, tradicionalmente vistos como os portos seguros nos investimentos definitivos em tempos de incerteza e de guerra, sofreram o que chamamos de uma “liquidação agressiva“.
O Que Realmente Aconteceu?
Não estamos falando de um simples ajuste técnico ou daquela realização de lucros saudável de sexta-feira. Foi uma marretada. Investidores institucionais e grandes fundos iniciaram um movimento de redução de riscos (o famoso de-risking) que não poupou nem os metais preciosos.
Quando o medo de taxas de juros mais altas nos EUA persiste — ou quando dados econômicos surpreendem — o custo de oportunidade de manter ativos que não pagam dividendos ou juros (como o ouro) aumenta drasticamente. O resultado? Uma fuga para a liquidez, geralmente fortalecendo o dólar e os títulos do tesouro americano (Treasuries).
A Dinâmica da Queda
No caso da prata, a volatilidade é sempre mais brutal. Enquanto o ouro desce de escada, a prata costuma pular da janela. A liquidação foi exacerbada por ordens automáticas de stop loss sendo acionadas conforme níveis técnicos importantes eram rompidos. [Fonte Original]
Por Que Agora?
A narrativa mudou rapidamente. O mercado, que antes precificava cortes agressivos de juros pelo Federal Reserve (Fed), começou a recalibrar as expectativas. Se a economia americana continua forte, a necessidade de “seguro” contra uma recessão imediata diminui.
- Fortalecimento do Dólar: Como as commodities são cotadas na moeda americana, um dólar forte torna o metal mais caro para detentores de outras moedas, reduzindo a demanda.
- Realocação de Portfólio: Grandes gestores precisaram cobrir margens em outros ativos ou simplesmente optaram por realizar o lucro acumulado no ano para fechar o balanço no azul.
Ouro: Ainda Vale a Pena Ter na Carteira?
Essa é a pergunta de um milhão de dólares (ou algumas onças-troy). A queda assusta, mas para o investidor de longo prazo, a tese de reserva de valor não desaparece em um dia de queda.
O cenário geopolítico continua tenso e a dívida global não para de crescer. Esses fatores fundamentais AINDA continuam dando suporte aos preços no médio e longo prazo. Contudo, no curto prazo, a tendência é de muita cautela para qualquer investidor que esteja querendo entrar nesse mercado. Quem opera alavancado em contratos como o XAU/USD deve ter cuidado redobrado, principalmente os traders.
O Olhar do Investidor Brasileiro
Para nós, investidores locais, a situação tem uma camada extra: o câmbio. Mesmo que o ouro caia em dólar lá fora, se o Real se desvalorizar, a queda é amortecida aqui. Por outro lado, se o dólar cair junto com o ouro, o impacto na carteira em reais é duplo.
Conclusão: Oportunidade ou Faca Caindo?
Tentar pegar a “faca caindo” (comprar exatamente durante a queda livre) é perigoso. O ideal é esperar a poeira baixar e observar onde o preço encontra suporte.
Se você investe pensando em décadas e proteção de patrimônio, movimentos de liquidação agressiva podem abrir janelas de compra interessantes. Mas lembre-se: o mercado é soberano e, às vezes, irracional. A liquidação atual nos lembra que até os ativos mais seguros do mundo podem ser extremamente voláteis.

