O setor de varejo de vestuário no Brasil encerrou o ano de 2025 com um marco impressionante para uma de suas maiores protagonistas. A C&A Modas (CEAB3) reportou um desempenho financeiro sólido e histórico, consolidando sua estratégia de recuperação e crescimento sustentável. Com um lucro líquido recorde de R$ 470,7 milhões no acumulado do ano, a companhia não apenas superou as expectativas do mercado, mas também demonstrou uma resiliência operacional notável em um cenário macroeconômico desafiador.
Neste artigo, vamos detalhar os principais indicadores que levaram a CEAB3 a esse patamar, explorando a eficiência do C&A Pay, a disciplina na alocação de capital e o que os investidores podem esperar para o futuro da varejista na Bolsa de Valores.
O Salto no Lucro Líquido e a Performance no 4T25
O resultado anual de R$ 470,7 milhões representa um crescimento expressivo de 57,5% em comparação ao ano de 2024. Analisando especificamente o quarto trimestre de 2025 (4T25), o lucro líquido atingiu R$ 269,8 milhões, uma alta de 7,9% na base anual. Esse desempenho reforça a importância da sazonalidade do final de ano para o setor de vestuário, mas, acima de tudo, destaca a melhora na rentabilidade da operação.
A disciplina financeira foi o pilar central. Mesmo com um aumento de 51,8% no Capex (investimentos), totalizando R$ 545 milhões voltados para a reforma de lojas e modernização logística, a C&A encerrou o ano com uma posição de caixa líquido de R$ 83,7 milhões. Isso mostra que a empresa está conseguindo investir no próprio crescimento sem comprometer sua saúde financeira.
ROIC e Eficiência Operacional
Um dos indicadores mais celebrados pelos analistas foi o Retorno sobre o Capital Investido (ROIC), que alcançou 21,8% no 4T25. Esse número reflete a alta capacidade da gestão em transformar o capital aplicado em lucro real para o acionista. A receita líquida consolidada no último trimestre foi de R$ 2,47 bilhões. Embora tenha havido um recuo pontual de 3,2% no trimestre, o acumulado do ano mostrou expansão de 4,5%, saltando de R$ 7,63 bilhões em 2024 para R$ 7,98 bilhões em 2025.
Para entender como esses números se comparam a outros grandes players, vale observar o desempenho de gigantes globais como a Amazon (AMZO34), que dita tendências globais de logística e eficiência operacional. A C&A parece ter aprendido a lição, otimizando seus centros de distribuição para reduzir custos e aumentar a velocidade de entrega.
O Trunfo do C&A Pay e o Setor Financeiro
Uma das grandes viradas de chave para a CEAB3 foi a retomada e o fortalecimento de seu braço financeiro. O C&A Pay atingiu a marca histórica de 9 milhões de cartões emitidos. Mais do que um meio de pagamento, essa ferramenta é estratégica para aumentar o ticket médio e a fidelização dos clientes.
O impacto direto foi visto no resultado operacional: o setor saiu de um prejuízo de R$ 1,2 milhão no final de 2024 para um lucro de R$ 4,4 milhões no 4T25. Além disso, a separação ou ajuste de parcerias anteriores permitiu um custo de dívida muito mais competitivo, caindo de CDI + 1,89% para CDI + 1,57% ao ano. A redução da dívida bruta foi drástica, caindo de R$ 2,08 bilhões para R$ 959,7 milhões em apenas um ano.
Comparativo de Investimento: CEAB3 vs Ibovespa
Para o investidor que foca no longo prazo, os dados do Investidor10 revelam um cenário animador. Quem investiu R$ 1.000 em ações da C&A há dois anos, hoje teria aproximadamente R$ 1.527,30 (considerando o reinvestimento de dividendos). No mesmo período, o Ibovespa teria retornado R$ 1.479,60. Essa “vitória” sobre o principal índice da bolsa brasileira coloca a CEAB3 no radar de quem busca valorização acima da média do mercado.
Estratégia de Expansão e Logística
O investimento em Santa Catarina e a reforma de lojas físicas mostram que a C&A não abandonou o varejo tradicional, mas o integrou ao digital. A estratégia de “Omnicanalidade” é o que permite que a empresa mantenha margens saudáveis mesmo com a concorrência de plataformas internacionais. A disciplina na alocação de capital tem sido o diferencial para manter a empresa competitiva frente a mudanças rápidas no comportamento do consumidor.
Conclusão: Vale a pena investir em CEAB3?
Os resultados de 2025 mostram uma empresa muito mais enxuta, lucrativa e com uma estrutura de capital otimizada. A redução da dívida e o sucesso do C&A Pay criam uma base sólida para 2026. Para o investidor de varejo, o acompanhamento das margens e da inadimplência no braço financeiro será crucial, mas os números atuais indicam que a C&A Modas encontrou o caminho do crescimento sustentável.
Acompanhar a evolução dos ativos e comparar com outras opções, como as BDRs de empresas de tecnologia ou varejo global, é essencial para manter uma carteira diversificada e resiliente.
